é curioso que a moda se construiu e constrói em cima de dois
opostos. por um lado, moda é uma importante ferramenta de integração social. já
na escola, crianças que se vestem de acordo com o padrão vigente tendem a ser
mais aceitas do que aquelas que fogem do que está na moda. a menina com a
sandália do momento terá maior facilidade para alcançar o respeito entre as
coleguinhas, quando comparada a menina usando o tamanco dos tempos da vovó. na
idade adulta este padrão continua, e pessoas que frequentam os mesmos grupos e
lugares tendem a se vestir de forma parecida. se todas as mulheres de certo
grupo usam uma bolsa de grife, a mulher que queira se integrar naquele grupo
terá maior facilidade caso também ela use uma bolsa de grife.
por outro lado, a moda é uma importante ferramenta de
expressão da individualidade. no mesmo grupo de mulheres, onde todos usam uma
bolsa de grife sofisticada, a mulher que usar uma bolsa de brechó estará se
afirmando como diferente. terá problemas de aprovação em virtude de sua
atitude, mas, a longo prazo, caso tenha autoestima o suficiente para manter a rebeldia,
passará a desfrutar de um respeito que somente a ousadia consegue conquistar.
os dois opostos, individualidade x aceitação social, se encontram
nos formadores de opinião: quando uma ícone fashion quebra os padrões vigentes,
a massa costuma segui-la. em poucos meses, a expressão de individualidade daquela
ícone transforma-se, assim, no padrão vigente de aceitação social, até que aquele
padrão seja novamente quebrado por outro formador de opinião. assim funciona a ciranda
da moda.
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